quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Todo mundo mente para evitar sofrimento. Mas a mentira acaba gerando um desgaste enorme e, no fim das contas, vale a pena ser evitada

por Eugênio Mussak | fotos André Spinola e Castro

Dizemos que a mentira tem pernas curtas porque sabemos que ela não costuma ir muito longe. Cedo ou tarde, ela cambaleia, tropeça e acaba sendo alcançada pela verdade. Isso acontece por, pelo menos, dois motivos: primeiro, porque quando mentimos fazemos mais esforço do que quando dizemos a verdade, em função do dilema moral envolvido na questão, ainda que inconsciente. Segundo porque, quando precisa ser repetida, a mentira perde força, sendo contaminada por fragmentos da verdade ou por outra mentira, pois sua base não é a realidade, e sim a ficção.
Mentir significa “inventar” uma verdade que não existe, e não “relatar” a verdade como ela é. A mentira começa com a pessoa, a verdade é anterior a ela. Quando mentimos criamos uma realidade que não se baseia em nenhum outro fato, a não ser nossa própria criatividade, o que não é suficiente para sustentar o que foi dito, caso o assunto não se esgote rapidamente. O candidato a emprego que mente sobre sua experiência e qualificações será desmascarado pela inconsistência do currículo ou pela incapacidade de atender às expectativas que criou. E por aí vai. Fatos que demonstram o insustentável peso da mentira podem ser colhidos aos montes na história de vida de quase todas as pessoas – de adolescentes a presidentes da república.
Mas, afinal, por que mentimos, se todos sabemos que existe a chance de sermos desmascarados mais cedo ou mais tarde? Que força é essa que nos impele a não sermos sempre fiéis aos fatos? Há mentiras justificadas ou não? A verdade, doa a quem doer, sempre é a melhor opção?
Por que mentimos?
Essas são questões da ética humana que interessam a várias correntes do pensamento. A psicologia explica a mentira pelo mecanismo de defesa, a sociologia pela busca do poder, a filosofia pela imperfeição humana e a religião pela compulsão ao pecado. As explicações, entretanto, quase nunca justificam a mentira ou desculpam o mentiroso. As motivações são diversas, o que pode ser percebido até na literatura. Podemos examinar um filme e uma novela que abordam bem essa faceta do ser humano, com suas conseqüências. O filme: O Fabuloso Destino de Amélie Poulin, dirigido por Jean Pierre Jeunet – uma versão moderna de Poliana, a garota que sempre via o lado bom das situações. Em uma das cenas, Amélie conta a Joseph que Georgette está apaixonada por ele e, para Georgette, afirma que Joseph também está interessado nela. Duas mentiras, pois eles não haviam dito nada disso, mas nossa heroína percebeu a possibilidade de aproximar os amigos que sofriam, ambos, do medo da rejeição. A conseqüência foi que essa “mentira amorosa” encorajou o casal a se relacionar, o que acabou interferindo, para melhor, no clima do bar que todos freqüentavam.
A novela: Beto Rockefeller, escrita por Bráulio Pedroso e produzida pela TV Tupi em 1968, marcando o início da moderna teledramaturgia brasileira. O personagem, Beto, interpretado por Luis Gustavo, é um rapaz suburbano de São Paulo, inconformado com sua pobre condição social. Por ser simpático e bem falante, consegue ser aceito por grupos de jovens da elite paulistana, que desconhecem sua origem. Durante toda a trama ele se faz passar por filho de uma família rica e aristocrata. Inventa histórias, mente descaradamente, arma tramas incríveis e, dessa forma, vai se dando bem. Até que, é claro, a casa cai, os amigos descobrem sua verdadeira identidade e o anti-herói sofre as conseqüências de sua impostura.
Quais as semelhanças e as diferenças entre essas duas histórias? A semelhança é que os dois personagens-tema usam mentiras para atingir seus objetivos. A diferença fica por conta da qualidade dos objetivos. Enquanto Amélie inventa lorotas com a intenção de ajudar seus semelhantes, Beto só quer se dar bem. Nos dois casos, ambos foram desmascarados, com a diferença que Amélie foi ainda mais querida por seus amigos, enquanto Beto foi defenestrado por todos.
Além de ser uma obra de ficção, ou seja, uma mentira por si só, o filme de Amélie brinca com falsas afirmações de uma forma doce e benéfica. Ela mente para as pessoas ao seu redor com a intenção de lhes proporcionar coisas boas. O seu objetivo, portanto, é nobre – trata-se de uma forma positiva de encarar a mentira. Isso quer dizer que estamos autorizados a faltar com a verdade, pois ela é relativa? Não, por favor, não me entenda mal. O que é relativo é a percepção que temos dos fatos, e a mentira grande ou pequena, danosa ou inconseqüente, piedosa ou maldosa, sempre será uma mentira e, como tal, poderá ferir alguém.
Mecanismo de defesa
Desde a infância mentimos para nos isentar de culpas ou para alcançar o que queremos, com a finalidade de obter prazer ou evitar sofrimento. Estudos indicam que apenas até os 3 meses de idade um bebê é incapaz de mentir. Após essa idade, aprende a se utilizar artifícios para chantagear seus pais. E somente quando a criança atinge cerca de 7 anos passa a ter a capacidade de diferenciar com clareza o falso do verdadeiro. A mentira quase sempre é utilizada pelos indivíduos como forma de evitar o sofrimento. Ela pode ocorrer de maneira consciente ou inconsciente. Em sua forma inconsciente, acontece um processo denominado pela psicologia de mecanismo de defesa, que pode ser de três tipos: negação, projeção e introjeção. Negamos os fatos desagradáveis e as sensações dolorosas, como se não existissem. Projetamos nos outros, ou nas coisas, fatos nossos que nos são repugnantes, como se não nos pertencessem. Introjetamos objetos de desejo, que podem ser coisas ou pessoas, como se fossem nossos.
Isso significa que mentimos para nós mesmos e acreditamos em nossas mentiras para evitar a dor ou para obter prazer. Nesse caso poderíamos dizer que se trata de uma “mentira justificada”, pois seu objetivo é esconder ou falsear fatos, buscando o bem para nós mesmos e para nossos semelhantes. Portanto, se a prática da mentira não envolver o hábito, a perversidade e a hostilidade, e se não deixar seqüelas, ela pode ser útil e até necessária. O problema é estabelecer a diferença entre os tipos de mentira, pois nem sempre percebemos quando deixamos de ser Amélies e nos tornamos Betos.
Realidades subjetivas
Na exposição de Picasso realizada em São Paulo há alguns meses, além da coleção que reunia telas das diversas fases do pintor espanhol, havia também frases dele, igualmente geniais, pintadas em algumas paredes. A mais perturbadora dizia: “A arte é uma mentira. Mas é através dessa mentira que podemos enxergar a verdade”. Nesse caso Pablo Picasso usou as palavras como usava os pincéis. Justificou a importância da arte e recolocou em cena a velha discussão da convivência do homem com a verdade e com a mentira. O pintor queria mostrar que qualquer forma de expressão – principalmente a artística – carrega uma interpretação que distorce os fatos reais. Picasso lembra que, sem a mentira, a arte não existiria em nenhuma de suas formas. Uma escultura é um corpo de mentira. As pinturas, os poemas, os romances – todos falsos em princípio, assim como o cinema, a fotografia, o teatro.
Mas, veja bem, mesmo sabendo que qualquer interpretação da realidade é subjetiva – e inevitavelmente não dá conta de toda a realidade –, isso não serve como desculpa para sair por aí contando mil e uma fábulas. A mentira consciente é aquela em que sabemos, temos a consciência plena de que estamos dando uma indicação contrária a essa realidade parcial que percebemos. Senão, não é mentira – é engano. A pessoa não mentiu, apenas enganou-se, e passou o engano adiante. Mas, quando mentimos, sabemos que estamos mentindo. Isso faz toda a diferença, por que é nesse momento que temos a possibilidade de escolher se queremos faltar com a realidade ou não.
Seria uma grande mentira dizer que você nunca mais mentirá, pois você é um ser humano. E a mentira é um desses defeitos “excessivamente humanos” – como diria Nietzsche. Mas, como ser humano, é possível cultivar o hábito de sempre se observar para constatar se sua relação com a verdade e com a mentira é saudável o suficiente para que você mantenha uma boa relação consigo mesmo. Sem se enganar.
Eugênio Mussak é professor, escritor, palestrante e ainda dirige uma empresa. Outras de suas ambições podem ser vistas em seu endereço eletrônico: www.eugeniomussak.com.br



Dizemos que a mentira tem pernas curtas porque sabemos que ela não costuma ir muito longe. Cedo ou tarde, ela cambaleia, tropeça e acaba sendo alcançada pela verdade. Isso acontece por, pelo menos, dois motivos: primeiro, porque quando mentimos fazemos mais esforço do que quando dizemos a verdade, em função do dilema moral envolvido na questão, ainda que inconsciente. Segundo porque, quando precisa ser repetida, a mentira perde força, sendo contaminada por fragmentos da verdade ou por outra mentira, pois sua base não é a realidade, e sim a ficção.
Mentir significa “inventar” uma verdade que não existe, e não “relatar” a verdade como ela é. A mentira começa com a pessoa, a verdade é anterior a ela. Quando mentimos criamos uma realidade que não se baseia em nenhum outro fato, a não ser nossa própria criatividade, o que não é suficiente para sustentar o que foi dito, caso o assunto não se esgote rapidamente. O candidato a emprego que mente sobre sua experiência e qualificações será desmascarado pela inconsistência do currículo ou pela incapacidade de atender às expectativas que criou. E por aí vai. Fatos que demonstram o insustentável peso da mentira podem ser colhidos aos montes na história de vida de quase todas as pessoas – de adolescentes a presidentes da república.
Mas, afinal, por que mentimos, se todos sabemos que existe a chance de sermos desmascarados mais cedo ou mais tarde? Que força é essa que nos impele a não sermos sempre fiéis aos fatos? Há mentiras justificadas ou não? A verdade, doa a quem doer, sempre é a melhor opção?
Por que mentimos?
Essas são questões da ética humana que interessam a várias correntes do pensamento. A psicologia explica a mentira pelo mecanismo de defesa, a sociologia pela busca do poder, a filosofia pela imperfeição humana e a religião pela compulsão ao pecado. As explicações, entretanto, quase nunca justificam a mentira ou desculpam o mentiroso. As motivações são diversas, o que pode ser percebido até na literatura. Podemos examinar um filme e uma novela que abordam bem essa faceta do ser humano, com suas conseqüências. O filme: O Fabuloso Destino de Amélie Poulin, dirigido por Jean Pierre Jeunet – uma versão moderna de Poliana, a garota que sempre via o lado bom das situações. Em uma das cenas, Amélie conta a Joseph que Georgette está apaixonada por ele e, para Georgette, afirma que Joseph também está interessado nela. Duas mentiras, pois eles não haviam dito nada disso, mas nossa heroína percebeu a possibilidade de aproximar os amigos que sofriam, ambos, do medo da rejeição. A conseqüência foi que essa “mentira amorosa” encorajou o casal a se relacionar, o que acabou interferindo, para melhor, no clima do bar que todos freqüentavam.
A novela: Beto Rockefeller, escrita por Bráulio Pedroso e produzida pela TV Tupi em 1968, marcando o início da moderna teledramaturgia brasileira. O personagem, Beto, interpretado por Luis Gustavo, é um rapaz suburbano de São Paulo, inconformado com sua pobre condição social. Por ser simpático e bem falante, consegue ser aceito por grupos de jovens da elite paulistana, que desconhecem sua origem. Durante toda a trama ele se faz passar por filho de uma família rica e aristocrata. Inventa histórias, mente descaradamente, arma tramas incríveis e, dessa forma, vai se dando bem. Até que, é claro, a casa cai, os amigos descobrem sua verdadeira identidade e o anti-herói sofre as conseqüências de sua impostura.
Quais as semelhanças e as diferenças entre essas duas histórias? A semelhança é que os dois personagens-tema usam mentiras para atingir seus objetivos. A diferença fica por conta da qualidade dos objetivos. Enquanto Amélie inventa lorotas com a intenção de ajudar seus semelhantes, Beto só quer se dar bem. Nos dois casos, ambos foram desmascarados, com a diferença que Amélie foi ainda mais querida por seus amigos, enquanto Beto foi defenestrado por todos.
Além de ser uma obra de ficção, ou seja, uma mentira por si só, o filme de Amélie brinca com falsas afirmações de uma forma doce e benéfica. Ela mente para as pessoas ao seu redor com a intenção de lhes proporcionar coisas boas. O seu objetivo, portanto, é nobre – trata-se de uma forma positiva de encarar a mentira. Isso quer dizer que estamos autorizados a faltar com a verdade, pois ela é relativa? Não, por favor, não me entenda mal. O que é relativo é a percepção que temos dos fatos, e a mentira grande ou pequena, danosa ou inconseqüente, piedosa ou maldosa, sempre será uma mentira e, como tal, poderá ferir alguém.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Crepúsculo


Crepúsculo

Crepúsculo

Olá, Saudade! Como vai você?
A que devo o prazer da sua visita?
Seja bem-vinda! Venha! Aproxime-se!
É cedo e o meu corpo ainda dormita...
Sente-se nos bancos da memória,
Enquanto me preparo pra este encontro...
Trarei o manuscrito de uma história,
Minha vida adaptada em um só conto.
O Enredo é nada mais que meus anseios...
E eu a Personagem principal...
O Tempo, que dá voltas, rodopios,
Se encarregará pelo Final...
A Alvorada é meu plano de fundo,
E o Sol, no início, brilha fulgurante...
Iluminando as trevas do meu mundo,
Embora esteja alhures, tão distante...
Eu costumava ouvir a melopeia...
E me deliciar com a eufonia...
Adormecer ao canto da sereia,
Deitado na mais linda melodia...
Acordes das seis linhas paralelas,
Acordavam-me logo em seguida...
E vozes, tão seguras, tão singelas,
Traziam-me à lucidez, à vida.
Ia então correndo para fora
Ansioso por olhar o horizonte...
E ao ver o que estava ali, defronte,
Trazendo os raios que eram minha fonte,
Sorria, aliviado, e ia embora.
O Sol ainda estava lá, brilhante.
Porém, um dia, a tinta, tão dourada,
De falha, deu seus primeiros sinais:
Aquela cor tão áurea e radiante,
Escurecia a cada dia mais.
E eu escurecia junto a ela...
Sem entender porque tudo se ia...
Sem compreender o tom que se esvaía...
E não tornei a olhar pela janela...
Até que um dia as vozes de outrora,
Firmes e singelas noutros tempos,
Gritaram-me: -Vem cá por um momento,
Olhar o que se formou aqui fora...
Eu fui... sem entender nada de nada...
Sem ânimo e desesperançoso...
Mas ao olhar a tela então pintada,
Meu coração... meu ser se encheu de gozo!
E percebi que a cor daquela tinta,
Que estava escurecendo pouco a pouco,
Compunha uma paisagem tão distinta,
A imagem surpreendente de um crepúsculo,
Durável e que até hoje é cenário,
Da continuação deste meu conto...
É, Saudade... achaste-me em surpresa...
Fazendo-me lembrar desses meus dias...
Nos quais achava eu ter a Certeza...
E amava as alegrias fugidias...
Levanta-te por quê? Já vais embora?
É tão sincera tua companhia...
Prometa-me voltar em outra hora,
E encher meu coração de Nostalgia.


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Crítica da Razão Prática (Emanuel Kant)


Download do livro em pdf clique aqui

Filosofia - o que é isto?

Ser é Escolher-se



Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tão-pouco de dentro, que possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser. (...) O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é.

Jean-Paul Sartre, in 'O Ser e o Nada'

O Caminho de São tiago de Compostela


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ética a Nicômaco (Aristóteles)


Download do livro em pdf clique aqui

A CLONAGEM ÉTICA




Apesar de o ser humano atual não necessitar de nenhum incentivo especial para manter seu orgulho pairando em alturas orbitais, a ciência moderna não cessa de supri-lo com novidades que nutrem continuamente sua presunção ilusória de “senhor da Criação”.
A chamada clonagem humana tornou-se uma fonte inesgotável de notícias desse tipo. Fale-se bem ou fale-se mal, o estratosférico orgulho humano sempre irrompe dos inúmeros artigos que abordam o assunto, evidenciando-se nas entrelinhas e também nas linhas, invariavelmente salpicadas de profícuos pontos de exclamação. E assim acontece que muitos passam a acreditar realmente que o ser humano é, de fato, o senhor da Criação e, com um pouco de esforço, já praticamente igual ao Criador. Praticamente, bem entendido, já que é sempre conveniente conservar uma certa humildade aparente...
“Clonagem humana é moralmente inaceitável!”, reverberam em uníssona indignação (quem diria) o papa e o presidente americano. “Ninguém vai obstruir o progresso humano!”, ameaça em pé de igualdade um médico quase monstro italiano, secundado por um sem-número de irados adoradores da ciência. “Ora, já produzimos embriões humanos clonados há décadas!”, assustam o mundo impassíveis cientistas chineses, escondendo um sorriso apenas racialmente amarelo diante de tamanho atraso dos seus colegas ocidentais.
Orgulho, orgulho por toda a parte nesse debate estéril, nesse embate histérico sobre a clonagem humana. Mesmo os que a combatem não estão isentos disso, pois também eles acreditam que, se quiser, o ser humano hodierno pode realmente tomar para si as atividades afetas ao Criador dos Mundos.
Centenas de fetos mal formados são necessários para se conseguir um único animal clonado, aparentemente sadio. Será dessa performance que os cientistas se orgulham? Do gasto de milhares de horas e dólares para produzir natimortos em série? Sentem-se talvez poderosos em desempenhar o papel de serial killers pré-natais? E o que será que um eventual clone humano adulto pensaria disso? Será que se orgulharia de seu nascimento fratricida? Ficaria enternecido em saber que um gélido tubo de ensaio num laboratório qualquer fez as vezes da tradicional figura do pai nervoso na maternidade?...
É o caso então de se procurar conhecer os pretensos benefícios aguardados da pesquisa sobre a clonagem humana. Para tanto, temos de descer até as profundezas abissais da mais crassa vaidade e presunção dessa humanidade.
No degrau mais fundo da degenerescência clônica, na pré-história da máxima involução do Homo ex-sapiens, encontramos uma malta feroz de acadêmicos neandertalescos, empenhada em desenvolver clones humanos com o único objetivo de fornecer órgãos para transplantes (*). As simiescas sumidades acocoradas em torno desse projeto insano, idolatrado qual um totem, grunhem que clones não têm alma, e por conseguinte não são propriamente seres humanos. Nessa assertiva há, contudo, uma sutil falha de interpretação. Pois somente quem há muito tempo já despencou do patamar de ser humano, trazendo em si apenas uma alma corrompida como núcleo, é que poderia fazer tal afirmação. Essa atitude apenas comprova que os desprovidos de alma verdadeira são eles mesmos. Os que não são mais seres humanos são eles próprios. Realmente, não vale a pena o esforço em procurar adjetivos adequados para qualificar essas ex-pessoas.
No degrau imediatamente superior divisamos os criogênicos, uma gente aparentemente séria mas de cabeça oca. Literalmente oca. É a turma que manda congelar amostras de seus corpos após a morte, preferencialmente a cabeça, com a tola esperança de serem ressuscitados no futuro através de alguma técnica de clonagem. Acreditam que voltarão a viver no futuro com o mesmo corpo de agora, naturalmente na divertida companhia de mamutes e pterodáctilos, que certamente também voltarão à vida pelo mesmo simples método replicante. Que dizer desse pessoal? Por mais restritas que tais pessoas se tenham tornado em sua cegueira intelectiva, por mais claudicante que se mostre a tosca bengala do materialismo em que ainda se apóiam, é realmente difícil avaliar com clareza uma conduta desse tipo. Trata-se de uma espécie de amálgama de estupidez com ridículo, recheado de vaidade. Deixemos esse degrau, onde não há mais nada para se ver senão a mais completa ignorância espiritual.
O degrau seguinte mostra um ambiente festivo, alegre, onde a vinda de clones humanos é aguardada com incontida ansiedade e terna esperança. São os hedonistas e preguiçosos, que desejam clones humanos para desempenhar algumas tarefas indignas de seres evoluídos, como: trabalhar, estudar, calcular impostos, pagar multas, etc. Um admirável mundo novo, onde os clones seriam uma espécie de robôs com alma, semi-escravos muito prestativos e alegres. Esse grupo deseja tempo livre para “desenvolver a criatividade” e usufruir a vida no doce ócio. Os clones que cuidem do resto, pois já deverão se dar por muito satisfeitos em terem chegado à vida justamente devido à criatividade humana... Fantasia mórbida seria um qualificativo bastante atenuado para semelhante estultice. Mas também aqui vamos nos abster de comentários mais aprofundados, e essas pessoas tão criativas com certeza também irão preferir assim.
Subindo um pouco mais, em busca de algum vislumbre de ética junto aos defensores da clonagem humana, deparamo-nos com um agrupamento de pesquisadores muito atarefados. São os que querem utilizar células-tronco para reproduzir órgãos sadios. Afirmam eles que, se utilizadas células-tronco de um embrião clonado do paciente, estaria de antemão solucionado o problema da rejeição, já que este receberia um órgão novo formado do próprio material genético.
Ainda antes de poder refutar essa idéia, nossa atenção é atraída para uma região mais elevada desse mesmo plano. Nesse local mais alto trabalha uma ala dissidente, compreensivelmente incomodada com a perspectiva de produzir embriões apenas com esse tétrico objetivo, para logo em seguida descartá-los como inúteis estepes humanóides. Esses dissidentes planejam utilizar células-tronco extraídas da medula óssea do próprio paciente e, a partir daí, tentar desenvolver um órgão sadio para efetuar o transplante.
Há duas questões aqui. A primeira é saber se as células-tronco realmente se prestam a assumir as funções de qualquer tecido humano, de músculos a nervos. Ainda há muita controvérsia a respeito. Estudos recentes têm despejado um balde de água um tanto gelada nesse entusiasmo aparentemente sem muito fundamento. A segunda questão é saber se este é o caminho certo para se obter a cura real de doenças crônicas. Como sempre, os pesquisadores só conseguem divisar o meramente terrenal diante de si, incapazes que são de reconhecer as causas anímicas de inúmeras doenças degenerativas, inclusive o câncer. Naturalmente muitas outras doenças têm, de fato, sua origem em modos nocivos de vida, como má alimentação e hábitos perniciosos, figurando em primeira linha o vício de fumar. O problema é que, mesmo que se mostrem viáveis, as células-tronco desenvolvidas nunca poderão atuar na causa propriamente de uma ou de outra, jamais poderão curar males de alma nem modificar hábitos de vida errôneos. Em ambos os casos, a chave para uma cura efetiva das doenças está na movimentação ascendente do espírito humano, o que requer vontade séria e perseverança, qualidades escassas nos dias de hoje.
No flanco místico desse degrau tão movimentado, isto é, no lado oposto de onde atuam os dois times de pesquisadores celulares mencionados, encontramos confabulando animadamente mais um grupo de pessoas bem intencionadas. Bem intencionadas e algo excêntricas. Os membros desse grupo querem nada mais nada menos do que conseguir uma amostra do sangue de Jesus impregnado na cruz e providenciar sua clonagem. Seria essa então a chamada “segunda vinda de Cristo”, ansiosamente aguardada por tantos fiéis, e que se realizaria de uma maneira um tanto bizarra, através da inesperada e providencial ajuda da ciência moderna.
É impossível não aludir aqui novamente ao orgulho humano, desta vez presente em grau máximo, roçando o infinito. Vamos nos dar o trabalho de tentar destrinchar essa idéia. Na hipótese, de antemão impossível, de se encontrar uma amostra do sangue de Jesus, e na suposição absurda de que essa amostra de dois mil anos fornecesse uma célula passível de ser clonada, e na ilusão de que esse clone se transformasse num embrião humano, e ainda acreditando que esse embrião se desenvolvesse sem problemas em algum ventre escolhido e desse origem a uma criança normal, e admitindo por fim que essa criança se tornasse um adulto, então nem por isso Jesus estaria de volta.
O que teria retornado à Terra, através da reencarnação, teria sido um espírito humano comum, encarnado num corpo terreno humano comum, desenvolvido numa gestação nada milagrosa. Aliás, como sempre foram, são e serão todas as gestações humanas: eventos absolutamente regulares, em estrita concordância com as leis da natureza. A alma que teria se encarnado nesse corpo terreno clonado – o qual apresentaria as feições terrenas de Jesus – seria uma alma comum, provavelmente sobrecarregada de carma e culpa como a maioria de nós, pobres seres humanos. Este homem poderia abraçar as mais diversas filosofias de vida quando adulto, sem poder ser contestado pela legião de fariseus do século XXI. Poderia ser judeu, muçulmano, budista, hinduísta ou mesmo agnóstico. Poderia até ser cristão. Poderia ser qualquer coisa nesse mundo, tudo, menos Jesus.
Há dois mil anos Jesus Cristo, o Filho de Deus, desceu das alturas máximas e encarnou num corpo humano terreno para poder trazer à Terra sua Palavra salvadora. Tão-só esta é capaz de salvar alguém, e isso somente quando a respectiva pessoa se empenhar em viver realmente segundo essa Palavra, com todas as fibras do seu ser, isto é, em todo o seu querer, pensar, falar e agir. Tudo o mais é ilusão desmedida, fruto de devaneios teológicos de pretensos intérpretes autorizados das Escrituras, que mais não fazem senão fomentar a indolência espiritual com seus dogmas auto-entorpecentes.
Podemos, sim, devemos mesmo efetuar a clonagem da legítima Palavra de Jesus em nossas vidas. Devemos viver de tal modo que nos tornemos verdadeiros clones dessa Palavra. Esta é a única clonagem capaz de trazer benefícios à humanidade, a única clonagem ética.

Sigmund Freud


Luís Carlos Prestes


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Arthur Schopenhauer

Não Deixes Transparecer o Teu Ódio e a Tua Ira

Deixar transparecer a ira ou o ódio em palavras ou expressões faciais é inútil, perigoso, pouco inteligente, ridículo e vulgar. Sendo assim, a ira ou o ódio devem ser demonstrados unicamente nas acções, e isso poderá ser feito tão mais perfeitamente quanto mais perfeitamente forem evitadas as atitudes anteriores.

Arthur Schopenhauer, in "A Arte de Ser Feliz"

domingo, 20 de setembro de 2009

O Direito a liberdade



Pensar o Direito, é pensar a Liberdade. Fazer agir o Direito, é viver a Liberdade. Intrinsecamente ligados, mister é que se faça valer o direito à liberdade dentro dos parâmetros e paradigmas do Direito, isto é, temos o direito de nascer, crescer, estudar, comer, morar... e morrer. Esses direitos são necessários para se encontrar, de uma forma ou de outra, os caminhos, as metas e os objetivos de cada indivíduo - tanto para o bem, quanto para o mal -, ou seja, a liberdade será determinada pelos seus princípios de "direito": o errar e o acertar.
A liberdade, antes de tudo, deve ser vista com responsabilidade. A responsabilidade de nossos atos é fator sumamente importante para que possamos fazer jus a "essa tal liberdade"...
Nos dias atuais, vemos e ouvimos, a toda hora e em todo lugar, pronunciamentos em prol da liberdade de expressão. O que seria isso? A grande mídia, tanto a falada, a escrita e a televisiva, quer conquistar "essa tal liberdade". Vejamos... Nos anos 60 existia um objetivo comum: a Ditadura Militar. Os jovens pediam o fim da Ditadura, reivindicavam a redemocratização do País, pediam o fim do imperialismo, queriam a liberdade de expressão, a revolução sexual, paz e amor e a defesa do patrimônio nacional. E hoje? Qual será o ideal de liberdade tão almejado por todos? Podemos dizer que hoje, as demandas e as necessidades são outras. Hoje, há outros grupos organizados que saem às ruas para lutar por direitos, como os homossexuais, os negros, as mulheres etc.
Se fizermos uma viagem através do túnel do tempo, até as décadas de 60-70, veremos que o simples fato de se pensar na palavra "liberdade", já era sinal de alerta para os "Donos do Poder". As pessoas tentavam, através de suas canções e poesias, extravasar o seu "subjugado" pensamento. As palavras de protesto sofriam mutações, e chegavam até nós, através de "Bandas" 1 ou "Flores" 2..., já que a ação da censura impedia que a população tivesse conhecimento daquilo que realmente acontecia, passando, sempre, a idéia de uma "paz tranqüila". Hoje, com a advento da globalização, a circulação de notícias imediatas através da Internet e o fim da Ditadura, temos direito a ter direito a "essa tal liberdade".
Mas, mesmo com a liberdade de pensamentos, nem sempre podemos colocar em prática esses pensamentos. Seria um atentado contra as regras do Direito. Podemos até falar, mas, não podemos, nunca, fazer o que falamos. Se assim fosse possível, quantas vezes teriam matado o nosso Ilustríssimo Presidente? Ou quantas bombas teriam jogado no Palácio do Governo? Nesse caso, temos, somente, a liberdade de opinião, mas nunca a liberdade de ação.
Portanto, delicio-me em dizer que: Não regozijo-me em ser uma livre pensadora, pois, acima de tudo, quero ser uma pensadora livre. Quero ser livre, não somente para pensar, mas, sonhar, falar, errar e acertar livremente.
Liberdade, no fundo, é isto: o direito de "errar", acertar e pensar sozinho.
1 Chico Buarque de Holanda, em 1966, compôs a música intitulada "A Banda". Em plena Ditadura Militar, esta canção chegou até nós como uma forma simples, alegre e descontraída de demonstrar o amor, compensando-nos da confiança perdida nos homens e suas promessas, da perda dos sonhos que o desamor puiu e fixou.
2 Geraldo Vandré, advogado, compositor e músico, em 1968, no III FIC, em São Paulo, causou impacto com a apresentação da música "Pra Não Dizer que não Falei das Flores" ou "Caminhando". A música teve grande êxito, tornando-se uma espécie de hino estudantil, mas teve seu curso interrompido pela censura por mais de dez anos.

Michel Foucault

Michel Foucault (1926 - 1984)

Deus existe


Eu não posso explicar o olhar dessa criança,como um mero acaso da evolução. Você pode? pense nisso.

Tirania


Tirania (do grego τύραννος, líder ilegítimo) é uma forma de governo usada em situações excepcionais na Grécia em alternativa à democracia. Nela o chefe governava com poder ilimitado, embora sem perder de vista que devia representar a vontade do povo. Hoje, entre sociedades democráticas ocidentais, o termo tirania tem conotação negativa. Algumas raízes históricas disto, entretanto, podem estar no fato de os filhos do grande tirano grego Pisístrato (que era adorado pelo povo pois fez a reforma agrária e dava subsídio) terem usufruído do espaço público como se fosse privado, sendo assim, banidos e mortos.

A tirania grega

Segundo Perry Anderson, na obra Passagens da Antiguidade ao Feudalismo, os tiranos ascenderam ao poder na Grécia no último século da era arcaica, a saber o século VI a. C. Estes autocratas romperam a dominação das aristocracias ancestrais sobre as cidades: eles representavam proprietários de terra mais novos e riqueza mais recente, acumulada durante o crescimento econômico da época precedente. Essas tiranias constituíram a transição crucial para a polis clássica. Os tiranos eram a classe de novos ricos, que acumularam grandes riquezas a partir do florescimento do comércio marítimo na zona do Mediterrâneo. Esses comerciantes não pertenciam à nobreza, até então detentora do poder, e ansiavam por mudanças para também participarem das decisões políticas. Segundo as palavras de Perry Anderson: Os próprios tiranos em geral eram novos ricos competitivos de considerável fortuna, cujo poder pessoal simbolizava o acesso do grupo social onde eram recrutados às honras e posição na cidade. Sua vitória, no entanto, só era possível geralmente por causa da utilização que faziam dos ressentimentos radiciais dos pobres, e seu mais duradouro empreendimento foram as reformas econômicas, no interesse das classes populares, que tinham de admitir ou tolerar para garantirem o poder. Os tiranos, em conflito com a nobreza tradicional, na realidade bloquearam o monopólio da propriedade agrária, que era a principal tendência de seu poder irrestrito e que estava ameaçando causar um crescente perigo social na Grécia arcaica.
Segundo Aristóteles e Platão, "a marca da tirania é a ilegalidade", ou seja, "a violação das leis e regras pré-estipuladas pela quebra da legitimidade do poder" por si já determina a tirania. Uma vez no comando, "… o tirano revoga a legislação em vigor, sobrepondo-a com regras estabelecidas de acordo com as conveniências para a sua perpetuação deste poder". Exemplo disso são as descrições de tiranias na Sicília e na Grécia antiga, cujas características assemelham-se às modernas ditaduras. Ainda segundo Platão e Aristóteles, os tiranos são ditadores que ganham o controle social e político despótico pelo uso da força e da fraude. A intimidação, o terror e o desrespeito às liberdades civis estão entre os métodos usados para conquistar e manter o poder. A sucessão nesse estado de ilegalidade é sempre difícil". Aristóteles atribuiu a "…vida relativamente curta das tiranias à fraqueza inerente dos sistemas que usam a força sem o apoio do direito." Maquiavel também chegou à mesma conclusão sobre a tirania e seu colapso: "… é o regime que tem menor duração, e de todos, é o que tem o pior final…" e "…a queda das tiranias se deve às desventuras imprevisíveis da sorte…".[carece de fontes?]

Moderna tirania

É caracterizada pelas ameaças às liberdades individuais e colectivas. A moderna tirania é representada por políticos que não tendo mais o poder de matar ou mesmo prender o opositor, preferem usar métodos substituindo como processos judiciais por calúnia e difamação, compra da imprensa e dos órgãos de informação. O comportamento tirânico de um político muitas vezes pode ser visto pelas altas verbas gastas em publicidade governamental, tanto nos níveis municipais quanto estaduais.

sábado, 19 de setembro de 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Fernando Pessoa

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)

1984 (George Orwell)


Download livro em pdf clique aqui

A Metamorfose (Franz Kafka)



download do livro, A metamorfose clique aqui

O que é liberdade?

Krishnamurti
Muitos filósofos têm escrito sobre a liberdade. Falamos sobre liberdade — liberdade para fazer o que quisermos, para ter o emprego de que gostamos, liberdade para escolher uma mulher ou um homem, liberdade para ler qualquer livro, ou liberdade para não ler absolutamente nada. Somos livres, e o que fazemos com essa liberdade? Usamos essa liberdade para nos expressarmos, para fazer aquilo de que gostamos. A vida está se tornando cada vez mais permissiva — você pode fazer amor no parque ou no jardim.
1

amor


o amor é um sentimento abstrato, é um sentimento que é sentido sem nós querermos, é um sentimento que nunca pode ser sentido por se querer. Ninguem escolhe quem ama, ninguem esquece quem ja amou. o amor verdadeiro aparece quando menos se espera, aparece quando nao se pensa em amar. nunca vos aconteceu conhecerem a pessoa certa para amarem e de tanto quererem amar essa pessoa nunca conseguirem amá-la de verdade, pois é, só amamos quem não queremos e quando queremos não conseguimos amar. O AMOR É UM UNICO SENTIMENTO QUE NÃO TEMOS PODER PARA CONTROLAR, MAS QUE NA REALIDADE NOS FAZ POR VEZES SENTIR MAIS DO QUE MARAVILHADAS.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Frase Nietzsche

Eu não sou um homem,sou uma dinamite.

Friedrich Nietzsche

Friedrich Nietzsche

Chaplin

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?
Charles Chaplin

Video incrivel sobre o Niestche no café filosofico.

Sócrates

Sócrates
Vida do filósofo Sócrates, saiba quem foi Sócrates, Filosofia grega
imagem de Sócrates
Sócrates: um dos mais importantes filósofos da antiguidade
Biografia e ideias de Sócrates
Sócrates nasceu em Atenas, provavelmente no ano de 470 AC, e tornou-se um dos principais pensadores da Grécia Antiga. Podemos afirmar que Sócrates fundou o que conhecemos hoje por filosofia ocidental. Foi influenciado pelo conhecimento de um outro importante filósofo grego: Anaxágoras. Seus primeiros estudos e pensamentos discorrem sobre a essência da natureza  da alma humana.
Sócrates era considerado pelos seus contemporâneos um dos homens mais sábios e inteligentes. Em seus pensamentos, demonstra uma necessidade grande de levar o conhecimento para os cidadãos gregos. Seu método de transmissão de conhecimentos e sabedoria era o diálogo. Através da palavra, o filósofo tentava levar o conhecimento sobre as coisas do mundo e do ser humano.
Conhecemos seus pensamentos e idéias através das obras de dois de seus discípulos: Platão e Xenofontes. Infelizmente, Sócrates não deixou por escrito seus pensamentos.
Sócrates não foi muito bem aceito por parte da aristocracia grega, pois defendia algumas idéias contrárias ao funcionamento da sociedade grega. Criticou muitos aspectos da cultura grega, afirmando que muitas tradições, crenças religiosas e costumes não ajudavam no desenvolvimento intelectual dos cidadãos gregos.
Em função de suas ideias inovadoras para a sociedade, começa a atrair a atenção de muitos jovens atenienses. Suas qualidades de orador e sua inteligência, também colaboraram para o aumento de sua popularidade. Temendo algum tipo de mudança na sociedade, a elite mais conservadora de Atenas começa a encarar Sócrates como um inimigo público e um agitador em potencial. Foi preso, acusado de pretender subverter a ordem social, corromper a juventude e provocar mudanças na religião grega. Em sua cela, foi condenado a suicidar-se tomando um veneno chamado cicuta, em 399 AC.
Algumas frases e pensamentos atribuídos ao filósofo Sócrates:
- A vida que não passamos em revista não vale a pena viver.
- A palavra é o fio de ouro do pensamento.
- Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.
- É melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal.
- Alcançar o sucesso pelos próprios méritos. Vitoriosos os que assim procedem.
- A ociosidade é que envelhece, não o trabalho.
- O início da sabedoria é a admissão da própria ignorância.
- Chamo de preguiçoso o homem que podia estar melhor empregado.
- Há sabedoria em não crer saber aquilo que tu não sabes.
- Não penses mal dos que procedem mal; pense somente que estão equivocados.
- O amor é filho de dois deuses, a carência e a astúcia.
- A verdade não está com os homens, mas entre os homens.
- Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.
- Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir.
- Sob a direção de um forte general, não haverá jamais soldados fracos.
- Todo o meu saber consiste em saber que nada sei.
- Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

o que é pensar

A palavra "pensar" deriva da palavra latina pensare, que significa pesar. Isto permite-nos compreender o que caracteriza os actos do pensamento (da razão):
Pensar é conhecer, o seja, é recolher dados acerca de algo, o que não deixa de poder ser encarado como um acto de avaliação, e aqui convém dizer que só conhecemos algo de novo, integrando-o no conjunto dos conhecimentos já adquiridos, o que remete para uma necessária  ponderação dos elementos novos e da sua compatibilidade com os já adquiridos.
Pensar é, também, julgar, ou seja, é comparar objectos (conceitos), de forma a que possamos distinguir e relacionar, de uma forma pertinente, os elementos da nossa realidade, interna e externa.
Pensar é, igualmente, raciocinar, é, a partir da análise do que conhecemos, sermos capazes de descobrir novas relações entre os objectos do nosso conhecimento, ou novas qualidades do real, que não poderiam ser simplesmente conhecidas através da experiência sensível.
Vamos centrar-nos nestes três tópicos, o conhecer, o julgar e o raciocinar, se bem que o pensamento abarque um vastíssimo leque de actividades mentais e de operações lógicas.
Em primeiro lugar veremos que o pensamento obedece a regras formais, os princípios lógicos da razão, que são o fundamento da sua consistência. Depois veremos quais os elementos constitutivos do pensamento, bem como as actividades racionais que lhe servem de suporte. E, por fim, veremos que o pensamento, para ser verdadeiro, tem que ser válido e analisaremos, de forma sucinta, os fundamentos da sua validade.
1) Princípio da Identidade: A=A.
Cada objecto é igual a si próprio; Cada proposição é equivalente a si mesma.
2) Princípio da não-contradição: uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo, de acordo com a mesma perspectiva; Uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo, de acordo com a mesma perspectiva.
3) Princípio do Terceiro Excluído: um indivíduo ou é ou não é, não há uma terceira hipótese; Uma proposição ou é verdadeira, ou é falsa, não há uma terceira possibilidade.
Solidariedade dos três princípios:
Estes três princípios podem ser considerados como três formulações de uma mesma lei geral do pensamento: os nossos pensamentos não devem conter contradições. As contradições são a base dos nossos erros lógicos.
A forma como os princípios estão formulados permite-nos identificar de uma forma mais fácil as inconsistências dos nossos pensamentos.
Conceito - Os conceitos (ideias) são representações mentais da realidade.
A nossa razão, a partir da experiência, representa a realidade, através da abstracção: com base no conhecimento dos objectos, das suas características materiais, a razão reúne essas características numa representação mental que lhe permite, quer a referência à realidade, quer a aquisição de conhecimentos de um grau superior que, por sua vez, são a base de todos os actos complexos do pensamento.
Por exemplo, a partir do conhecimento das características materiais das mesas concretas, a nossa razão formula o conceito de mesa, que reúne as características comuns (essenciais) aos objectos que fazem parte do conjunto das mesas, permitindo-nos, assim, pensar acerca das propriedades das mesas, sem que estas estejam (ou tenham que estar) presentes na nossa experiência actual. Por isso, ao ouvirmos a palavra mesa  associamos-lhe como significado o conceito de mesa previamente formulado. O mesmo se passa com os restantes conceitos adquiridos por abstracção.
Juízo - (À expressão lógica de um juízo chamamos proposição). Os juízos são actos do pensamento que consistem na relação de conceitos: a um conceito-base, a que chamamos sujeito (do juízo), atribuímos uma característica (ou um conjunto de características), a que chamamos predicado. Esta atribuição é feita através de um elemento de ligação a que chamamos cópula. Assim, os juízos têm a seguinte estrutura formal: SЄP. S é o sujeito, Є é a cópula e P é o predicado.
Os juízos podem ser afirmativos, quando a cópula é afirmativa ( x é y ), e negativos, quando a cópula é negativa ( x não é y ).
A estrutura formal de um juízo faz lembrar uma balança com dois pratos. Tal como o acto de pesar assenta na comparação entre um objecto e uma medida (o peso), assim também ao pensarmos, ao emitirmos juízos, estamos a comparar conceitos. (No caso dos juízos negativos, estamos a fazer uma disjunção, assente numa comparação).
Raciocínio - (À expressão lógica de um raciocínio chamamos argumento). Os raciocínios são relações entre juízos. pelo que podemos considerar que o raciocínio é uma operação racional que consiste na obtenção de um conhecimento novo (conclusão), a partir de conhecimentos previamente adquiridos (premissas), que não poderiam ser alcançados de outra forma com o mesmo grau de consistência.
Podemos dizer que, basicamente, adquirimos conhecimentos efectivos acerca da realidade a partir de duas vias: a experiência e a razão.
Os conhecimentos adquiridos  pela experiência são particulares, pelo que nos dão informações precisas, mas insuficientes, acerca da estrutura da realidade. É que a realidade não é constituída apenas por objectos concretos, mas também por processos que não são imediatamente acessíveis através da experiência sensível. Por este motivo, os nossos conhecimentos podem, se exclusivamente baseados na experiência sensível, revelar-se ilusórios (aparentes) se não forem sujeitos, no mínimo a uma clarificação racional.
A razão permite-nos ir além dos dados imediatos da experiência sensível, de forma a descobrirmos as causas dos fenómenos que observamos (causas essas que não são identificáveis directamente), bem como as leis que regem os processos constitutivos da realidade. É deste modo que surge a ciência, como saber racional que visa explicar o funcionamento da realidade.
Para concluir, podemos afirmar que todos os actos do pensamento obedecem aos princípios lógicos da razão.
Os princípios lógicos da razão dizem-nos como pensar e não o que pensar. Eles referem-se à estrutura formal do pensamento e não ao seu conteúdo, a que podemos chamar a matéria do pensamento.
Assim, quer pensemos acerca de faquires, borboletas, idas ao cinema, ou qualquer outra coisa, por mais mirabolante que seja, temos que pensar de forma consistente, temos que seguir os princípios lógicos da razão, ou seja, o nosso pensamento tem que estar bem estruturado. Isto, como é óbvio, independentemente do conteúdo do pensamento.
Dizer que o João é bom e mau aluno, sem mais, é um pensamento inválido, porque viola o princípio da não-contradição; o mesmo acontece se dissermos que "agora é de dia e de noite", ou "os xptos são extraterrestres e terrestres.
Ora, chamamos validade formal à consistência dos nossos pensamentos, eles são válidos se estiverem bem construídos, de acordo com os princípios lógicos da razão, caso contrário são inválidos em termos formais.
Para além da sua estrutura formal os nossos pensamentos têm um conteúdo, têm uma matéria. Se o conteúdo do nosso pensamento for incongruente com os dados da experiência sensível (da realidade), então o nosso pensamento é inválido em termos materiais, ou seja, é falso (mesmo que seja formalmente válido).
Sendo assim, podemos dizer que o nosso pensamento é verdadeiro quando está adequado à realidade. A verdade (validade material) pode ser definida como a adequação do pensamento à realidade.
Mas, para poder ser verdadeiro, para estar adequado à realidade, o pensamento tem que ser válido em termos formais, tem que estar bem estruturado. Assim: os pensamentos só podem ser verdadeiros se forem válidos em termos formais e, também, se estiverem adequados à realidade. Daqui se depreende que um pensamento inválido em termos formais não pode ser verdadeiro.

Procrastinação

Procrastinação 
Calvin e a procrastinação.
Há tempos estou para escrever um texto sobre o ato de procrastinar. Mas se há uma coisa que a gente não costuma adiar é o hábito de postergar, enrolar, deixar certas tarefas para o dia seguinte. Outro dia mesmo, ao pensar sobre o assunto, acabei escrevendo uma frase que sintetiza bem essa história: "Procrastinação é como masturbação. No começo é bom, mas depois vc percebe que só está fodendo a si mesmo".
Tenho mais de quinze posts rascunhados. Por que não os finalizo e os publico duma vez? Um pouco por causa do perfeccionismo antiprodutivo que faz com que eu nunca fique satisfeito com certos textos, um tanto por conta das atribuições mais urgentes do dia a dia; sem esquecer da parcela substancial de culpa a ser imputada à síndrome de DDA que faz com que eu me distraia acompanhando o Twitter ou navegando aleatoriamente pela rede, ocupando-me com afazeres geralmente mais prazerosos e/ou descompromissados.
E assim, acabo por parafrasear na vida real aqueles versos de Fernando Pessoa: "Ai que prazer/ não cumprir um dever./ Ter um livro para ler/ e não o fazer!". Ah, procrastinação, minha velha companheira que me torna displicente e pontualmente atrasado para quaisquer deadlines que necessito cumprir; o que fazer com você? Enquanto esse impasse permanece, sei que preciso marcar uma reunião com meu amigo  Caio fim de, enfim, criarmos o Clube dos Procrastinadores Anônimos. Amanhã a gente vê isso.
* * * * *
Leituras recomendadas: "Amanhã eu escrevo" (Rodolfo Araújo), "10 dicas para se livrar da procrastinação" (Eduardo Fernandes), "Desbaratando a rede de procrastinação" (Marco Polli) e "Amanhã eu faço" (Rafael Tonon).

nos sabemos pensar?

O que se entende por bem pensar? Será que sabemos pensar? Há alguma diferença entre pensar e ruminar pensamentos? É possível melhorar o nosso pensamento? Existe alguma técnica? Com essas perguntas introdutórias, damos início à nossa análise do tema. Nele verificaremos os princípios de aprendizagem, ferramentas utilizadas para o bem pensar e algumas anotações sobre o pensar por nós mesmos. materia original